Pedido havia sido apresentado pelo senador Humberto Costa e citava repasses de R$ 3,6 milhões a empresa ligada ao ex-prefeito
A CPI do Crime Organizado do Senado retirou da pauta, nesta quarta-feira (18), o requerimento que previa a convocação do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil). A retirada ocorreu a pedido do senador Humberto Costa (PT-PE), autor da solicitação.
A comissão está reunida para votar uma série de requerimentos, incluindo convocações de autoridades, quebras de sigilo e pedidos de compartilhamento de informações relacionados às investigações sobre a atuação do crime organizado no Brasil.
Contestação de Sérgio Moro
O pedido de convocação de ACM Neto foi questionado pelo senador Sérgio Moro (União-PR) logo no início da reunião. Para o parlamentar, não existe relação direta entre o ex-prefeito de Salvador e o foco principal das investigações da CPI, que é o combate ao crime organizado.
Moro afirmou que a tentativa de convocar ACM Neto e outros nomes seria uma manobra política com viés eleitoral dentro da comissão.
“Não se utilize essa CPI como instrumento para criação e exploração de fatos políticos que não têm nenhuma relação com a investigação”, declarou Moro durante a sessão.
O senador também citou outros pedidos apresentados por parlamentares do PT para convocar autoridades como Valdemar Costa Neto, presidente do PL, além do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e do ex-ministro da Fazenda, Paulo Guedes.
Debate sobre investigações na Bahia
Durante a discussão, Moro afirmou que, caso a CPI decidisse aprofundar investigações relacionadas ao Banco Master na Bahia, ele exigiria a votação de requerimentos que apresentou para convocar o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), e o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT).
Segundo o senador, as suspeitas envolvendo a relação do banco com o governo baiano deveriam ser analisadas de forma ampla, sem seletividade política.
“Se vamos investigar a Bahia, então vamos convocar o ministro Rui Costa e o governador Jerônimo Rodrigues, que deu continuidade a essa relação do governo baiano com o Master”, afirmou Moro.
Justificativa do pedido
Na justificativa para convocar ACM Neto, o senador Humberto Costa (PT-PE) argumentou que o depoimento seria importante para esclarecer possíveis irregularidades na relação entre o ex-prefeito e o Banco Master, incluindo suspeitas de tráfico de influência e lavagem de dinheiro.
O parlamentar citou um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que aponta que a empresa A&M Consultoria Empresarial, administrada por ACM Neto, recebeu cerca de R$ 3,6 milhões do Banco Master e da empresa de investimentos Reag entre 2023 e 2024.
Além da convocação, o senador também havia apresentado um requerimento pedindo a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do ex-prefeito, além de outro pedido para quebra dos sigilos da própria empresa de consultoria.
Votação adiada
Diante da contestação e do debate entre os senadores, Humberto Costa decidiu retirar os requerimentos da pauta desta quarta-feira, afirmando que poderá solicitar a votação em reuniões futuras da comissão.
Assim, tanto o pedido de convocação quanto os requerimentos de quebra de sigilo ficaram temporariamente suspensos, podendo voltar à pauta em novas sessões da CPI.






